Publicado por: Glocalidades | 19/03/2009

Vou de Táxi

Samira Aguiar

Passageiros se apertam para conseguirem entrar em ônibus

Mais um sintoma da crise. O aumento da gasolina nos Estados Unidos, fez crescer o número de pessoas a utilizarem o metrô, ônibus e trens. De acordo com o relatório da Associação Americana de Transporte Público, o aumento foi de 4% em relação ao ano anterior.

Foram quase 10, 7 bilhões de viagens através do transporte coletivo em 2008. Para as operadoras de transporte público, esta marca é de se comemorar, pois foi o maior número de usuários desde 1956.

As autoridades do transporte ficaram animadas pelo fato de mesmo com a queda do preço da gasolina, os americanos continuarem usando o transporte público. “Parece que muitas dessas pessoas, após terem experimentado o transporte público, o consideraram adequado às suas necessidades”, disse William W. Millar, o presidente da associação de transporte.

Casos muito diferentes acontecem no Brasil, especialmente na cidade de São Paulo, onde o transporte público sempre foi de baixa qualidade e nunca mereceu, salvo em raros casos, uma avaliação positiva de seus usuários. Ao contrário do que aconteceu nos EUA, no Brasil quem experimenta o transporte público, escolheria não precisar usá-lo. Mas como no Brasil cerca de 80% da população é urbana a maioria necessita desse meio para seu deslocamento na cidade.

Um dos fatores para esse caos, tanto do transporte público como do trânsito, é a pequena extensão de linhas de metrô, esse tipo de transporte tem 40,9 quilômetros para cada mil quilômetros quadrados da cidade. Enquanto que em Nova York são 880 para cada mil quilômetros.

A falta de planejamento, de domínio dos governos municipais e a descentralização do controle são fatores que adicionam a lista de problemas do transporte coletivo. Para haver uma organização é necessário, além de tudo, a criação de uma autoridade metropolitana única, que controle o transporte público responsável pelo planejamento geral da infra-estrutura de transporte, integração intermodal, definição de operações, controle de trânsito, integração tarifária, etc., nos moldes de metrópoles como Madri, Londres e Nova York.

Enquanto os nossos governantes não se atentam para o problema do transporte público, ficamos à mercê das greves longas; aumentos de tarifas; falta de qualidade no serviço; despreparo dos funcionários das empresas; falta de segurança e conforto; pontos de ônibus ou estações sem proteção e conforto; poucos veículos disponíveis, ocasionando superlotação em horários de pico; descumprimento freqüente de horários, entre um gama enorme de outros tantos problemas que nós usuários, enfrentamos todos os santos dias.


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